domingo, 28 de fevereiro de 2016

alegações

Primeira sessão:
A história não valida o poema.
Se o poema diz partir
ou partir o poema,
não é da história que o poema parte à procura
mas da complacência pela moral do poeta
num ato de perpetuação.
A complacência não valida o poema:
o poema diz que a verdade é partir
porém o poema fixa, não parte
- a verdade não valida o poema.
O poema diz partir – que partir é este?
Não entrevemos se o poema vai ou se quebra.
A linguagem não valida o poema.

O poema valida e intrica
a história, a complacência, a verdade, a linguagem.
Resta saber se o poema se valida por igual
ou se o poema é inválido.

Segunda sessão:
A história valida o poema.
Se o poema diz vingar
ou vingar o poema,
é a história que o poema pretende vingar
na complacência pela moral do poeta
num ato de perpetuação.
A complacência valida o poema:
o poema diz que a verdade é vingar
e logo o poema vinga
- a verdade valida o poema.
O poema diz vingar – que vingar é este?
Entrevemos que o poema quanto desforra, tanto cresce.
A linguagem valida o poema.

A história, a complacência, a verdade, a linguagem
validam e intricam o poema.
Resta saber se o poema as valida por igual
ou se todas são inválidas.

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