domingo, 30 de setembro de 2012

circo

O circo é uma pequenina arena fechada, lugar de esquecimento. Durante alguns instantes permite que nos abandonemos, que nos dissolvamos em maravilha e felicidade, transportados pelo mistério. Saímos de lá como que envoltos numa neblina, entristecidos e horrorizados pela face quotidiana do mundo. Mas este velho mundo quotidiano, este mundo com o qual julgamos estar por de mais familiarizados, é o único que existe - e é um mundo de magia, de magia inesgotável. Como o palhaço, vamos fazendo as nossas cabriolas, simulando sempre, adiando sempre o grande acontecimento. Morremos a lutar para nascer. Nunca fomos, nunca somos. Estamos sempre na contingência de vir a ser, separados, desligados sempre. Sempre do lado de fora.

Henry Miller, O sorriso aos pés da escada (do Epílogo).

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

o pirómano

depois de atear fogo alheou-se num concerto e deixou os meninos na fogueira a aprender coisas de sonho e de verdade, a aprender quanto é que vale uma bandeira e a saber o que custou a liberdade.