sexta-feira, 14 de junho de 2013

As palavras transferidas. XVI - Última infância

Podem morrer-me os livros nas mãos da noite inaugurais como as manhãs que já não vêm.
A mão esfria de folhear cabelo a cadáver. Ler
é ofício côncavo. Uma mão a pedir esmola,
outra farta vilanagem ao dobrar cada esquina de papel.
Ler é pouco menos que vaidade de profanar cemitérios.
Dos bons livros aprendi somente as ciências falíveis e as tabuadas de acaso
e acaso me perguntem por elas, direi que me esqueci até da geometria do esquecimento
planando redundâncias sobre os grandes mestres.
Podem morrer-me os livros nas mãos.
O prazer do jogo esconde a sua privação,
 inexprimível, patética,
o ajuste indizível da carne no golpe,
a implosão silenciosa da infância.
Podem morrer-me os livros nas mãos que a criança não volta.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Como ler um escritor

"[...] um leitor procurar num escritor, ou na sua obra, soluções para os seus problemas é uma invasão de privacidade. Eis a falácia subjacente a qualquer entrevista ou nota biográfica sobre um autor: aproximar demasiado a vida da obra, ou acreditar que um romance pode substituir os erros que uma pessoa tem de cometer na vida para aprender a sobreviver devidamente ou talvez até a ser feliz."

John Freeman em Como ler um escritor. (Tinta-da-china, 2013.)

sábado, 8 de junho de 2013

The Iceberg. Cobolt


A crise para totós

"Com efeito, a verdadeira solução para a crise da dívida é o crescimento, que pressupõe investimentos concorrenciais, os quais exigem infra-estruturas públicas. O desaparecimento da má dívida pressupõe, pois, o crescimento da boa dívida."

Jacques Attali, "Estaremos todos falidos dentro de dez anos? - Dívida pública: a última oportunidade" (Alêtheia Editores, Agosto 2010).

Duas conclusões sobre a Granta 1

1. "A vida é um tédio quando não há histórias para ouvir nem nada para ver." (Pág. 237, Orhan Pamuk in Gente Famosa.)

2. Contra todas as expetativas, a Granta mostra que o agora maiúsculo Valter Hugo Mãe afinal sai ao pai. (Pág. 296.)