segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

todas as entranhas da vida

Ano desertor.
Esta é a transcrição mais encontrada n´a rua deserta. Maria Zambrano, caída no esquecimento da edição portuguesa.
Este o poema mais achado. Leiam-lhe os livros, que felizmente de António Ramos Rosa ainda aparecem.
Passaram pela rua 13666 visualizadores do Brasil, meus amigos charlies.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Na opinião da estatística, os excertos de Zigmunt Bauman e sobre semiótica são os mais encontrados por aqui. Passaram pela rua deserta  519 vultos da Rússia e 41 sombras chinesas. Este o poema mais encontrado, "Lover of mine", Beach House, a música mais ouvida. OK.
acho que ninguém leva a mal que eu lhe continue a chamar deusébrio

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Não chegar tarde

O reboco das paredes deste prédio
é composto por fragmentos cortantes
de tudo quanto em vida os moradores despedaçaram
e de que forçosamente prescindiram.

Se um vizinho escreve este aviso
é porque numa noite prescindiu também da mão
com que acendeu a luz.

Deslembrando César

Se a César o que é de César, não comereis senão salada.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

As palavras transferidas. XVI - Última infância

Podem morrer-me os livros nas mãos
da noite inaugurais como as manhãs que já não vêm.
A mão esfria de folhear cabelo a cadáver.
Ler é ofício côncavo, uma mão a pedir esmola,
outra farta vilanagem a dobrar cada esquina de papel.
Ler é pouco menos que vaidade de profanar cemitérios.
Dos bons livros aprendi somente as ciências falíveis e as tabuadas de acaso
e caso me perguntem por elas, direi que esqueci
da própria geometria do esquecimento
planando redundâncias sobre os grandes mestres.
Podem morrer-me os livros nas mãos.
O prazer do jogo esconde a sua privação,
 inexprimível, patética,
o ajuste indizível da carne no golpe,
a implosão silenciosa da infância.
Podem morrer-me os livros nas mãos.
Podem morrer-me os livros nas mãos que a criança não volta.