terça-feira, 7 de janeiro de 2014
domingo, 22 de dezembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Não chegar tarde
O reboco das paredes deste prédio
é composto por fragmentos cortantes
de tudo quanto em vida os moradores despedaçaram
e de que forçosamente prescindiram.
Se um vizinho escreve este aviso
é porque numa noite prescindiu também da mão
com que acendeu a luz.
é composto por fragmentos cortantes
de tudo quanto em vida os moradores despedaçaram
e de que forçosamente prescindiram.
Se um vizinho escreve este aviso
é porque numa noite prescindiu também da mão
com que acendeu a luz.
Deslembrando César
Se a César o que é de César, não comereis senão salada.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
A História é
"A História é uma câmara de reanimação e é fácil errar nas doses e mandar desta para melhor os pacientes que se queria salvar."
Claudio Magris, Às Cegas (Quetzal, 2012, pág. 24)
Claudio Magris, Às Cegas (Quetzal, 2012, pág. 24)
sexta-feira, 14 de junho de 2013
As palavras transferidas. XVI - Última infância
Podem morrer-me os livros nas mãos
da noite inaugurais como as manhãs que já não vêm.
Dos bons livros aprendi somente as ciências falíveis e as tabuadas de acaso
e caso me perguntem por elas, direi que esqueci
da própria geometria do esquecimento
planando redundâncias sobre os grandes mestres.
Podem morrer-me os livros nas mãos.
O prazer do jogo esconde a sua privação,
inexprimível, patética,
o ajuste indizível da carne no golpe,
a implosão silenciosa da infância.
Podem morrer-me os livros nas mãos.
Podem morrer-me os livros nas mãos que a criança não volta.
da noite inaugurais como as manhãs que já não vêm.
A mão esfria de folhear cabelo a cadáver.
Ler é ofício côncavo, uma mão a pedir esmola,
outra farta vilanagem a dobrar cada esquina de papel.
Ler é pouco menos que vaidade de profanar cemitérios.Ler é ofício côncavo, uma mão a pedir esmola,
outra farta vilanagem a dobrar cada esquina de papel.
Dos bons livros aprendi somente as ciências falíveis e as tabuadas de acaso
e caso me perguntem por elas, direi que esqueci
da própria geometria do esquecimento
planando redundâncias sobre os grandes mestres.
Podem morrer-me os livros nas mãos.
O prazer do jogo esconde a sua privação,
inexprimível, patética,
o ajuste indizível da carne no golpe,
a implosão silenciosa da infância.
Podem morrer-me os livros nas mãos.
Podem morrer-me os livros nas mãos que a criança não volta.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Como ler um escritor
"[...] um leitor procurar num escritor, ou na sua obra, soluções para os seus problemas é uma invasão de privacidade. Eis a falácia subjacente a qualquer entrevista ou nota biográfica sobre um autor: aproximar demasiado a vida da obra, ou acreditar que um romance pode substituir os erros que uma pessoa tem de cometer na vida para aprender a sobreviver devidamente ou talvez até a ser feliz."
John Freeman em Como ler um escritor. (Tinta-da-china, 2013.)
John Freeman em Como ler um escritor. (Tinta-da-china, 2013.)
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