terça-feira, 14 de outubro de 2014

Talvez o funil

Meu caro colega: se eu largar no balcão um manual de vendas redigido em verso, onde o arrumas?
- Com fatura ou com guia?
Como for melhor.
- É melhor ser com guia, evitas o crédito. Meto-o algures na estante da gestão, sempre pode ser que alguém lhe pegue para meter nas despesas. Ou então deixa - vai para o meio dos Pessoas, só se estraga uma casa e pode ser que ao engano te tomem por um deles. Qual é o título?
Talvez o funil.
- O funil?
"Talvez o funil".
- OK. Poesia. Ia perguntar pelo funil mas fiquei à toa com o talvez.
O funil sistematiza as fases da relação comercial, da que antecede o primeiro contacto com um cliente até à próxima venda, sempre a próxima.
- Tenho uns poucos assim. Não queres comprar nada?
E amanhã teria de vir cá outra vez.
- Estou a gostar desse funil, sem dúvidas que estou.
O talvez é por uma certa propensão para aplicar o funil a tudo.
- Esquece, a filosofia também não vende.
No funil, procuras pessoas interessadas no que podes ter, acertas as coisas e avanças. Vês se está tudo a correr bem e assim acabam por poder precisar de ti outra e outra vez.
- Estou a ver. Hum. Também se aplica isso às gajas?
Às tantas a tudo.
- Eu é mais gajas.
Pois.
E procuras das que possam estar interessadas ou és tu que te interessas logo pelo que elas têm?
- Isso. Se o negócio for bom até me proponho ao exclusivo!
Poupa para o anel. Fica com o livro, passa a ser teu exclusivo também. Podes pôr-lhe a etiqueta de vendas, negócios, desenvolvimento pessoal, autoajuda. Enfia-o lá pelo meio das tralhas da motivação.
- Mas afinal para que serve esta porra?
Serve para conseguires que precisem tanto de ti a ponto de não seres preciso para nada. Quando ouvires alguém a falar de sucesso é disto que fala.